F1 · Aulas 11–12

Relevo mundial

Mundo: estrutura geológica

Três grandes conjuntos: escudos cristalinos ou crátons, pré-cambrianos, estáveis e ricos em minérios metálicos; bacias sedimentares, que abrigam combustíveis fósseis; e dobramentos modernos, cenozoicos, instáveis e de grandes altitudes.

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A estrutura geológica do planeta deve ser entendida como o resultado de bilhões de anos de dinâmica interna — tectônica de placas, vulcanismo, orogenia e processos erosivos — que moldaram a crosta em três grandes domínios já citados, mas cujas subdivisões e dinâmicas internas merecem atenção. Os escudos cristalinos, também chamados de crátons, formaram-se no Pré-Cambriano e constituem o embasamento rochoso mais antigo e rígido, composto por rochas ígneas e metamórficas, como granitos, gnaisses e quartzitos; por serem estáveis, sofreram intensa erosão ao longo do tempo geológico, apresentando relevo rebaixado ou de planaltos antigos, como o Escudo das Guianas e o Escudo Brasileiro.

É neles que se concentram jazidas de minérios metálicos como ferro, manganês, ouro e bauxita, o que explica a dependência econômica de muitos países periféricos na exportação de commodities minerais. Já as bacias sedimentares são depressões preenchidas por sedimentos depositados em eras Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica; sua estratificação permite a acumulação de matéria orgânica em condições de baixo oxigênio, originando combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral) e aquíferos, como o Guarani, além de arenitos e calcários usados na construção civil. Os dobramentos modernos, por sua vez, resultam da colisão entre placas tectônicas no Cenozoico, como no caso da cadeia dos Andes, formada pela subdução da placa de Nazca sob a Sul-Americana, e do Himalaia, pela colisão da placa Indiana com a Euro-asiática: são áreas de intensa sismicidade e vulcanismo, com altitudes elevadas e relevo jovem, onde a erosão ainda não atenuou as formas.

Mundo: relevo

Formas básicas: montanhas, planaltos (superfícies elevadas em que a erosão supera a sedimentação), planícies (planas e sedimentares) e depressões, absolutas (abaixo do nível do mar) ou relativas. O relevo submarino inclui plataforma, talude e fossas.

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O relevo mundial resulta da interação entre forças internas (endógenas), como tectonismo e vulcanismo, que criam e elevam formas, e forças externas (exógenas), como intemperismo, erosão e sedimentação, que desgastam e aplainam o terreno — desse embate nasce a diversidade das formas, organizadas em grandes conjuntos como os escudos cristalinos antigos (ex.: Escudo Canadense e Planalto Brasileiro), as bacias sedimentares (ex.: Bacia do Paraná) e os dobramentos modernos (ex.: Cordilheira dos Andes e Himalaia), estes últimos ligados a limites convergentes de placas tectônicas, onde o choque entre placas gera dobras, falhas e intensa atividade sísmica e vulcânica.

África

Continente-planalto: predominam altiplanos formados por escudos cristalinos antigos, com estreitas planícies litorâneas. Destaques: o vale do Rift, com falhas e os grandes lagos; o Atlas ao norte, único dobramento moderno; e as bacias do Congo e do Saara.

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A África é o continente que melhor encarna a ideia de "planalto continental" porque sua estrutura geológica resulta de um longo processo de estabilização crustal: sobre escudos cristalinos pré-cambrianos, como o Escudo Arábico-Núbio e o Escudo Sul-Africano, acumularam-se camadas sedimentares que deram origem a extensos altiplanos, como o Planalto da Etiópia e o Planalto do Bié, em Angola, que funcionam como verdadeiros "castelos d'água" e explicam a radialidade dos grandes rios africanos. O relevo africano é frequentemente descrito como "acidentado nas bordas e aplainado no interior", pois as escarpas litorâneas, como as do Drakensberg, na África do Sul, dificultam o acesso ao interior e ajudam a explicar o atraso histórico da colonização europeia no continente.

O vale do Rift, que se estende por cerca de 6.000 km de Moçambique à Jordânia, é o exemplo mais concreto dessa dinâmica: trata-se de uma zona de divergência tectônica onde a crosta se estende e se fragmenta, originando fossas, como a do lago Tanganica, e vulcões como o Kilimanjaro, além de concentrar a maior parte dos grandes lagos africanos.

América

Estrutura em três faixas norte-sul: dobramentos modernos a oeste (Rochosas, Sierra Madre, Andes); planícies centrais sedimentares (Mississippi, Amazônica, Platina); e escudos cristalinos antigos e desgastados a leste (Canadense, Apalaches, Guianas e Brasileiro).

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Essa organização do relevo americano não é acidental: ela reflete a história tectônica do continente, marcada pela interação entre placas. A oeste, a convergência das placas de Nazca e do Pacífico com a Placa Sul-Americana e a Norte-Americana gerou cadeias de dobramentos modernos (cenozoicos e ainda ativos), associados ao Círculo de Fogo do Pacífico, onde ocorrem terremotos, vulcanismo e formação de fossas oceânicas, como a Fossas do Peru-Chile, defronte aos Andes. Já as vastas planícies centrais resultam da deposição sedimentar em bacias ao longo de milhões de anos, como a Bacia do Mississippi, a Amazônica e a do Prata, favorecendo agricultura, navegação e ocupação humana.

A leste, predominam escudos cristalinos antigos e muito erodidos, como o Escudo Canadense, o das Guianas e o Brasileiro, além de dobramentos antigos igualmente desgastados, caso dos Apalaches — formados no Paleozoico e hoje reduzidos a planaltos e serras de baixa altitude.

América do Norte

A oeste, as Montanhas Rochosas e a Cordilheira Costeira, com vulcanismo e sismicidade; ao centro, as Grandes Planícies do Mississippi, base do cinturão agrícola; a leste, os Apalaches, antigos e erodidos, ricos em carvão; e ao norte, o Escudo Canadense modelado por glaciação.

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O relevo norte-americano organiza-se em faixas paralelas de norte a sul, resultado da atuação de dobramentos, falhamentos e intensa glaciação quaternária, o que explica a assimetria entre um oeste jovem e acidentado e um leste antigo e aplainado. No oeste, a interação entre a placa de Farallon (hoje subductada) e a placa Norte-Americana ergueu os dobramentos da Sierra Nevada e das Cascatas, cujo exemplo mais emblemático é o Monte Rainier, vulcão ativo nos EUA que ilustra o Cinturão de Fogo do Pacífico; é nessa região que ocorre a Falha de San Andreas, responsável por terremotos como o de São Francisco (1906). Já a Depressão Central, drenada pelo Mississippi-Missouri, acumula sedimentos que formam solos férteis, sustentando o Corn Belt e a produção de soja e milho.

O leste, com os Apalaches, representa um relevo residual de antigos dobramentos, hoje explorado por carvão mineral e afetado por processos erosivos.

Por fim, questões interdisciplinares com climatologia e agricultura exploram como o relevo condiciona a distribuição de cultivos e a ocupação humana, tornando indispensável dominar não só a localização, mas também os processos geológicos que explicam cada feição.

Europa

Continente de relevo pouco elevado e muito recortado. Ao sul, os dobramentos modernos alpinos — Alpes, Pireneus, Cárpatos, Bálcãs; ao centro e norte, a Grande Planície Europeia, densamente povoada; e maciços antigos como os Urais, que a separam da Ásia.

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O relevo europeu resulta de três grandes eventos geológicos sobrepostos: a orogenia herciniana, que ergueu os maciços antigos hoje arrasados pela erosão, a orogenia alpina, que soergueu as cadeias do sul na era Cenozoica, e a ação das glaciações quaternárias, que escavou vales e fiordes no norte e deixou planícies de sedimentação.

Ásia

Continente dos extremos: abriga o Himalaia, com o Everest (8.849 m), formado pela colisão da placa Indiana com a Euroasiática, e o mar Morto, depressão absoluta. Grandes planícies fluviais — Indo-Ganges, Mesopotâmia, chinesas — concentram enormes populações.

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A Ásia sintetiza a geologia dos grandes choques de placas e a diversidade de formas que deles decorre, indo muito além do Himalaia: ali se encontram o planalto do Tibete, a mais extensa e elevada superfície elevada contínua do planeta, com média superior a 4.000 metros, e a depressão da Mesopotâmia, que chega a ficar abaixo do nível do mar. O relevo asiático organiza-se em blocos rígidos antigos, como o Escudo Siberiano e o Escudo Arábico, que permaneceram relativamente estáveis, e em faixas móveis recentes, onde a atividade tectônica continua intensa. O cinturão Alpino-Himalaio, que se estende do Mediterrâneo ao Sudeste Asiático, formou-se a partir da aproximação e colisão entre as placas Africana, Arábica e Indiana com a Euroasiática, com a convergência iniciada ainda no fim do Cretáceo e intensificada no Cenozoico; esse processo soergueu o Himalaia, o Karakoram e os planaltos do Irã e da Anatólia, além de dobrar e falhar rochas sedimentares acumuladas em antigos mares como o Tétis.

O planalto do Tibete, por sua vez, atua como uma barreira orográfica que bloqueia a entrada de massas de ar frias e secas do interior do continente e intensifica as monções, pois força o ar úmido do oceano Índico a subir e precipitar nas vertentes meridionais, o que explica a umidade do sul e do sudeste asiáticos e a aridez do interior.