O pensamento geográfico
Da Geografia Tradicional descritiva (Ratzel e o determinismo, Vidal de La Blache e o possibilismo) à Geografia Quantitativa dos anos 1950 e à Geografia Crítica, de base marxista, com Milton Santos e David Harvey, que lê o espaço como produto das relações sociais e do capital.
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O pensamento geográfico evoluiu como reflexo das próprias transformações do capitalismo, e compreender esse percurso é essencial para entender por que a Geografia deixou de ser uma ciência meramente descritiva para se tornar uma ferramenta de análise crítica da realidade. Após a Geografia Tradicional, que via o espaço como palco passivo das ações humanas, a Geografia Quantitativa dos anos 1950 buscou leis e modelos matemáticos para explicar a localização das atividades econômicas, mas ignorava as contradições sociais. A ruptura veio com a Geografia Crítica, que incorporou o materialismo histórico e dialético para mostrar que o espaço geográfico não é neutro: ele é produzido e apropriado de forma desigual pelo capital.
Milton Santos, por exemplo, ao estudar a urbanização brasileira, demonstrou como a especulação imobiliária e a segregação socioespacial nas metrópoles são resultados diretos da lógica de acumulação capitalista, e não de escolhas individuais ou naturais.