A Quarta Revolução Industrial
Também dita Indústria 4.0: integra internet das coisas, inteligência artificial, big data, computação em nuvem, robótica avançada, impressão 3D e manufatura aditiva. Produz fábricas inteligentes e altamente automatizadas, com forte impacto sobre o emprego industrial.
Aprofundar ▾
A Quarta Revolução Industrial não se resume a um pacote de tecnologias: ela representa uma mudança de paradigma produtivo, marcada pela convergência entre o mundo físico, o digital e o biológico, conceito popularizado por Klaus Schwab no Fórum Econômico Mundial. Se a Primeira Revolução (vapor) mecanizou a produção, a Segunda (eletricidade e linha de montagem) a tornou em massa e a Terceira (eletrônica e informática) a automatizou, a Quarta se distingue pela integração em rede e pela capacidade de decisão autônoma dos sistemas: máquinas que coletam dados, aprendem com eles e se comunicam entre si em tempo real, ao longo de toda a cadeia produtiva — do fornecedor ao consumidor.
O exemplo clássico é a fábrica inteligente da Siemens em Amberg, na Alemanha, onde produtos carregam chips que "conversam" com as máquinas, indicando como devem ser fabricados; cerca de 75% dos processos são automatizados e a mesma linha produz centenas de variantes sem interrupção, elevando a produtividade com menos desperdício. O impacto territorial é duplo: de um lado, reforça a desconcentração de etapas intensivas em mão de obra barata para a periferia; de outro, permite o reshoring de plantas para países centrais, já que o custo do trabalho pesa menos diante da automação — fenômeno que dialoga diretamente com a tese do desemprego tecnológico e com a exigência de mão de obra cada vez mais qualificada, ampliando a desigualdade entre países e regiões.
Em resumo, não basta decorar as tecnologias: o essencial é compreender que a Indústria 4.0 reorganiza o espaço geográfico, o emprego e as hierarquias entre nações, sendo cobrada sobretudo nessa leitura crítica e integradora.