Problemas urbanos
A urbanização acelerada e sem planejamento gerou déficit habitacional, transporte precário, falta de saneamento, violência e degradação ambiental. Nos países periféricos, esses problemas são estruturais, não conjunturais: resultam de uma urbanização sem distribuição de renda nem investimento prévio.
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Os problemas urbanos constituem o conjunto de disfunções sociais, econômicas e ambientais que emergem quando o crescimento das cidades ultrapassa a capacidade do Estado de prover infraestrutura e serviços básicos, e sua raiz está na combinação entre êxodo rural acelerado, industrialização tardia e especulação imobiliária, que empurra a população de baixa renda para áreas periféricas ou de risco. O conceito central é o de segregação socioespacial: a cidade não é um espaço homogêneo, mas um território dividido conforme a renda, onde a ausência de políticas habitacionais e de mobilidade reproduz desigualdades que se tornam visíveis na paisagem urbana.
Mundo: cidades mais populosas
As maiores aglomerações estão hoje na Ásia: Tóquio, Délhi, Xangai, Daca e Mumbai, seguidas de São Paulo, Cidade do México e Cairo. O crescimento urbano futuro concentra-se na África e no sul da Ásia, enquanto as metrópoles ocidentais estagnaram ou encolhem.
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Por trás da lista das cidades mais populosas está o conceito de aglomeração urbana, que não se confunde com o município ou com o limite político-administrativo: ela é a mancha contínua de ocupação do solo — a chamada conurbação — formada pela cidade central e pelos municípios vizinhos que se fundiram fisicamente, mesmo mantendo administrações separadas. Em Tóquio, a prefeitura governa cerca de 14 milhões de habitantes, mas a aglomeração real ultrapassa 37 milhões ao incorporar Yokohama, Kawasaki e Chiba, o que explica por que os rankings variam tanto conforme o critério adotado (município, aglomeração ou área metropolitana) — detalhe que as provas adoram explorar.
O mesmo raciocínio vale para São Paulo: a capital tem cerca de 11 milhões de habitantes, enquanto a região metropolitana abriga mais de 20 milhões, número que será decisivo no Censo 2022. Essa distinção tem consequência prática, pois só a aglomeração revela problemas que extrapolam fronteiras administrativas, como o transporte pendular — os milhões que dormem em um município e trabalham em outro —, o déficit habitacional empurrando a população para periferias distantes, a conurbação de loteamentos irregulares em áreas de manancial e a poluição que ignora limites legais. Note ainda a diferença de ritmo: a urbanização europeia foi lenta e acompanhou a industrialização, gerando cidades mais equipadas, enquanto a dos países periféricos é acelerada, sem oferta equivalente de emprego formal e infraestrutura, produzindo a chamada urbanização terciária — crescimento urbano puxado por serviços informais, não pela indústria.