F1 · Aulas 13–14

Relevo do Brasil

Brasil: estrutura geológica

Território geologicamente antigo e estável: cerca de 36% de escudos cristalinos (Guianas e Brasileiro), ricos em minérios metálicos, e 64% de bacias sedimentares (Amazônica, do Parnaíba, do Paraná), com petróleo, carvão e água subterrânea. Não há dobramentos modernos — daí a ausência de vulcões e a raridade de terremotos.

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A estrutura geológica brasileira reflete sua posição no interior da Placa Sul-Americana, distante das bordas convergentes onde ocorrem dobramentos modernos, o que explica a estabilidade tectônica do território: aqui predominam terrenos pré-cambrianos, como o Cráton Amazônico e o Cráton do São Francisco, formados há mais de 540 milhões de anos e submetidos desde então a intensa erosão, o que rebaixou o relevo e concentrou minerais metálicos em jazidas como o Quadrilátero Ferrífero (MG) e Carajás (PA) — exemplo clássico de que a antiguidade geológica, e não a atividade tectônica recente, é o fator decisivo para a riqueza mineral brasileira. Sobre esses escudos, depositaram-se ao longo do Fanerozoico as bacias sedimentares, cujas camadas acumularam matéria orgânica que originou petróleo e gás (Bacia de Santos, Campos) e carvão mineral (Bacia do Paraná), além de aquíferos como o Guarani, evidenciando a relação direta entre estrutura geológica e recursos energéticos.

Vale lembrar que a estabilidade não significa imobilidade absoluta, pois falhas antigas podem gerar sismos de baixa magnitude, mas o padrão geral é de quietude tectônica, o que torna o Brasil um caso peculiar entre os grandes territórios mundiais, já que quase todos os demais apresentam cadeias montanhosas recentes em suas bordas.

Brasil: relevo (classificação de Aziz Ab'Sáber)

Elaborada em 1960 com base em fotografias aéreas e nos processos de erosão e sedimentação. Identifica planaltos (onde a erosão predomina) e planícies (onde predomina a sedimentação), num total de 7 planaltos e 4 planícies. Não usa a categoria depressão.

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A classificação de Aziz Ab'Sáber, publicada em 1960 no contexto da consolidação da geografia científica brasileira, representou um avanço conceitual ao abandonar o critério altimétrico absoluto — usado antes por Aroldo de Azevedo, que separava o relevo brasileiro apenas em planaltos e planícies com base na altitude — e adotar como critério central a dinâmica dos processos morfoclimáticos: onde a erosão é o processo dominante, temos planaltos; onde a sedimentação predomina, temos planícies. Essa lógica revela uma influência direta da geomorfologia climática, corrente que associa a evolução do relevo às condições climáticas pretéritas e atuais, permitindo entender por que áreas de altitude modesta, como amplos setores do Nordeste e do Centro-Oeste, foram classificadas como planaltos, enquanto trechos mais elevados, mas de acumulação sedimentar, aparecem como planícies.

Brasil: relevo (classificação de Jurandyr Ross)

De 1989, é a mais aceita hoje: usa imagens de satélite e incorpora a categoria depressão. Resulta em 28 unidades — 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies —, considerando estrutura geológica, processos morfoclimáticos e a ação antrópica.

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A grande virada da classificação de Jurandyr Ross está em abandonar a dicotomia rígida entre "planalto" e "planície" herdada de Aroldo de Azevedo e Aziz Ab'Saber, substituindo-a por uma leitura em que o processo morfoclimático — sobretudo a erosão — define a forma. O conceito-chave é o de depressão: superfície rebaixada em relação ao entorno, onde a erosão supera a sedimentação, ou seja, predomina a remoção de material, e não o acúmulo. Isso a distingue da planície, onde a sedimentação é o processo dominante.

Outro caso é a Depressão Sertaneja e do São Francisco, no semiárido nordestino, onde a escassez de chuvas e a forte insolação intensificam o trabalho erosivo. Ross combinou três critérios: a estrutura geológica (bacias sedimentares, escudos cristalinos, faixas orogênicas), o clima atuante e a ação antrópica, que altera vertentes e acelera processos como voçorocamento.

Vale lembrar que, para Ross, o relevo brasileiro é predominantemente planáltico e deprimido, com planícies restritas a áreas de acumulação recente, o que reforça a importância de dominar a lógica erosiva antes de memorizar as 28 unidades.

Planaltos, depressões e planícies

Planaltos: superfícies irregulares elevadas, com escarpas — caso da Serra do Mar. Depressões: áreas rebaixadas por erosão nas bordas de bacias sedimentares. Planícies: planas e sedimentares, como a Amazônica e a do Pantanal, sujeitas a inundações periódicas.

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A classificação de Jurandyr Ross, proposta em 1990 a partir do projeto RADAMBRASIL, rompeu com a visão dicotômica de Aroldo de Azevedo e Aziz Ab'Sáber, que dividiam o país apenas entre planaltos e planícies, e introduziu as depressões como terceira unidade morfoestrutural relevante, totalizando 28 unidades de relevo. O critério central é a altimetria combinada à origem dos processos geomorfológicos: planaltos são áreas onde a erosão supera a sedimentação, com altitudes geralmente acima de 300 metros, apresentando estruturas cristalinas ou sedimentares soerguidas; depressões são superfícies rebaixadas pela erosão diferencial, situadas entre planaltos e bacias, com altitudes intermediárias; planícies são áreas onde a sedimentação recente predomina, com relevo praticamente plano e altitudes baixas.

Cortes latitudinal e longitudinal do relevo brasileiro

Perfis topográficos que revelam a organização do território: as maiores altitudes estão no Norte (Pico da Neblina, 2.995 m, no Planalto das Guianas) e no Sudeste (Mantiqueira, Serra do Mar), com a Serra do Mar formando escarpa abrupta junto ao litoral.

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Os cortes latitudinal e longitudinal são representações gráficas do perfil do relevo brasileiro obtidas, respectivamente, ao longo de um paralelo (sentido leste-oeste) e de um meridiano (sentido norte-sul), funcionando como "radiografias" da topografia que revelam a alternância entre planaltos, depressões e planícies. No corte longitudinal, partindo da Amazônia em direção ao Sul, observa-se uma sequência de terrenos baixos (planície amazônica e depressões periféricas) seguida por planaltos interioranos e, por fim, pelas escarpas litorâneas do Sudeste e do Sul, evidenciando o predomínio de altitudes modestas — cerca de 60% do território abaixo de 300 m — e a ausência de dobramentos modernos, típicos de bordas de placas ativas.

Já o corte latitudinal, traçado, por exemplo, na altura de São Paulo ou do Paraná, mostra a transição da estreita planície costeira para a Serra do Mar, a depressão interiorana e os planaltos arenito-basálticos do interior, com o rio Paraná como referência de drenagem.