A Revolução Industrial e a construção do meio técnico
Milton Santos distingue três meios: o natural, anterior à técnica dominante; o técnico, inaugurado pela Revolução Industrial com máquinas, ferrovias e cidades fabris; e o técnico-científico-informacional, do pós-guerra. Cada meio produz uma espacialidade distinta.
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A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra do século XVIII, não foi apenas um conjunto de inovações técnicas, mas o marco que transformou a própria lógica de organização do espaço geográfico, pois ao substituir a manufatura pela maquinofatura e a energia humana ou animal pela máquina a vapor, ela separou definitivamente o local de produção do local de consumo e impôs uma nova racionalidade ao território. Com as fábricas concentrando trabalhadores, capital e matérias-primas, surgiram as cidades industriais e regiões especializadas, enquanto as ferrovias e depois os telégrafos encurtaram distâncias, integrando mercados nacionais e coloniais em escala mundial; o espaço deixou de ser apenas suporte natural para se tornar meio técnico, isto é, um território progressivamente equipado por objetos artificiais que orientam e condicionam a vida social.