Rússia
Maior país do mundo em área, com onze fusos horários e imensas reservas de gás natural, petróleo, minérios e madeira. É potência militar e nuclear, mas tem economia pouco diversificada e dependente de commodities, além de população em declínio.
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A Rússia deve ser entendida, antes de tudo, como um país cuja geografia física condiciona radicalmente sua geopolítica: a imensidão territorial, a posição setentrional em altas latitudes e a continentalidade explicam tanto a dificuldade de ocupação humana quanto a lógica de sua projeção externa. Cerca de 77% do território corresponde à Sibéria, imensa faixa a leste dos Urais marcada pelo clima subártico e polar, pelos solos de permafrost e por densidades demográficas baixíssimas, contrastando com a concentração populacional na Rússia Europeia, sobretudo na região do rio Volga, no Cáucaso e no entorno de Moscou. Essa assimetria — população a oeste, recursos a leste — gera o que a geografia chama de descontinuidade espacial, exigindo enormes investimentos em infraestrutura de transporte, como a Ferrovia Transiberiana, para conectar centros produtores e consumidores.
No plano econômico, a herança soviética deixou um parque industrial pesado e um complexo militar-industrial, mas a transição pós-1991 aprofundou a dependência de hidrocarbonetos: petróleo e gás natural respondem por parcela decisiva das exportações e das receitas fiscais, o que torna o país vulnerável às oscilações do mercado internacional, como ficou evidente nas sanções impostas após 2014 e intensificadas em 2022, que atingiram bancos, tecnologia e o setor energético. Exemplo concreto dessa estratégia é o uso do gás como instrumento geopolítico contra a Europa: os gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2, que ligavam a Rússia à Alemanha pelo mar Báltico, foram projetados para contornar países de trânsito como a Ucrânia, e o segundo nunca chegou a operar plenamente, sendo alvo de sabotagem em 2022 — episódio que simboliza a energia como arma de pressão.
A isso soma-se a questão demográfica: queda da natalidade, envelhecimento populacional e emigração de jovens qualificados agravam a escassez de mão de obra, problema histórico num país de baixa densidade.