Brasil: fases da integração nacional
Do transporte marítimo de cabotagem e fluvial no período colonial às ferrovias do café, no século XIX, radiais dos portos ao interior. A partir de Vargas e sobretudo de JK, com a indústria automobilística e Brasília, consolida-se a opção rodoviária, aprofundada pela ditadura.
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As fases da integração nacional traduzem um projeto geopolítico de ocupação e articulação do território, em que cada matriz de transporte corresponde a um momento econômico e a um modelo de Estado. No Império, a integração era litorânea: o país funcionava como um arquipélago econômico, com o trabalho escravo produzindo açúcar e café escoados por portos como Rio e Santos, sem conexão entre as regiões. A República Velha mantém esse padrão, mas a borracha e o café exigem ferrovias como a Santos–Jundiaí e a Madeira–Mamoré, todas radiais, isto é, ligando o interior ao porto, nunca o interior a si mesmo.
A partir de 1930, Vargas centraliza e cria a Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce, mas o salto é JK: o Plano de Metas associa indústria automobilística, Brasília e a rodovia Belém–Brasília, reorientando o eixo para o interior e subordinando o território à lógica rodoviária, aprofundada pela ditadura com os Planos Nacionais de Desenvolvimento e a Transamazônica, que integraram o país por eixos como a BR-153 e a BR-163, muitas vezes em detrimento de ferrovias e hidrovias. O exemplo concreto é a BR-116 (Rio–Salvador), que substituiu o transporte de carga antes feito por cabotagem, mas gerou dependência do petróleo e do caminhão.