O desafio à hegemonia ocidental
A China tornou-se a maior economia em paridade de poder de compra, a maior exportadora e a "fábrica do mundo". Sua ascensão é o principal fator de reorganização da ordem mundial e alimenta a tese da armadilha de Tucídides — o risco de conflito entre potência estabelecida e potência ascendente.
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O desafio à hegemonia ocidental se materializa quando a China converte poder econômico em poder estrutural, isto é, na capacidade de definir as regras do jogo global — algo que o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, controlava desde 1945 por meio do dólar, do FMI, do Banco Mundial e da OTAN. Pequim atua em três frentes: financeira, com os BRICS e o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, que oferecem crédito sem as condicionalidades neoliberais do Consenso de Washington; tecnológica, com a disputa pela liderança em 5G, semiconductores, inteligência artificial e energia renovável, setores em que a Huawei e as metas de neutralidade de carbono chinesas desafiam diretamente a supremacia americana; e geopolítica, com a Iniciativa Cinturão e Rota, que já reúne mais de 140 países e projeta influência sobre Ásia, África, Europa e América Latina.