Por que este tema é cobrado
Teorias formuladas entre o final do século XIX e a Guerra Fria para explicar a relação entre geografia e poder. São recorrentes em ITA, IME e questões dissertativas de Fuvest e Unicamp, que pedem a aplicação dos conceitos a conflitos atuais — Ucrânia, mar do Sul da China, Ártico.
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A Geopolítica clássica nasce da tentativa de transformar a política internacional em ciência espacial, e é justamente essa ambição que explica sua permanência no vestibular. O ponto de partida é a tríade fundadora: Ratzel e o determinismo geográfico, que via o Estado como organismo vivo dependente de solo e recursos, legitimando expansão territorial e o conceito de espaço vital; Mackinder e o heartland, que em 1904 formulou a tese de que quem controla o pivô eurasiático domina o mundo, sendo o mar apenas complemento; e Mahan, que inverteu a lógica ao mostrar que o poder naval e o controle de rotas marítimas sustentaram a hegemonia britânica.
Soma-se a isso a leitura alemã de Haushofer, cuja geopolítica serviu de justificativa ideológica ao expansionismo nazista, e, no pós-guerra, a atualização de Spykman com o rimland: não o coração da Eurásia, mas suas bordas costeiras — Europa, Oriente Médio, Ásia — seriam a chave do equilíbrio global. Essa transição do determinismo para a geopolítica crítica, que lê o espaço como construção histórica e discursiva, é o que dá sofisticação ao tema.
Outro caso é o mar do Sul da China, onde a projeção de poder naval e a construção de ilhas artificiais em zonas de rotas comerciais atualizam Mahan, e o Ártico, cuja abertura de rotas e recursos com o degelo testa a fronteira entre geografia física e poder.