Onda rosa e o "boom" das commodities
Nos anos 2000, governos de esquerda foram eleitos em série — Lula, Chávez, Kirchner, Morales, Correa, Mujica —, favorecidos pela alta dos preços das commodities, puxada pela demanda chinesa. Isso financiou programas sociais e reduziu a pobreza, mas aprofundou a reprimarização das economias.
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A Onda Rosa designa a sequência de governos de esquerda e centro-esquerda eleitos na América Latina entre o fim dos anos 1990 e meados dos 2000, fenômeno que se sustentou sobre o boom das commodities, isto é, a elevação histórica dos preços internacionais de matérias-primas como minério de ferro, petróleo, soja e cobre, impulsionada sobretudo pela industrialização chinesa e pela demanda asiática por insumos. O conceito de reprimarização descreve o efeito estrutural dessa bonança: em vez de diversificar a matriz produtiva, os países latino-americanos ampliaram a participação de produtos primários na pauta de exportações, reforçando a especialização herdada da divisão internacional do trabalho e tornando suas economias reféns da volatilidade dos preços externos.
O caso brasileiro é exemplar: a expansão da fronteira agrícola no Cerrado e a valorização do minério de ferro sustentaram superávits comerciais recordes e financiaram o Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo, mas a indústria de transformação perdeu participação no PIB, configurando o que economistas chamam de doença holandesa — a apreciação cambial provocada pela entrada de dólares encarece os produtos manufaturados e desestimula a produção local.