As migrações brasileiras
Grandes ciclos: o êxodo rural do século XX, que urbanizou o país; a migração nordestina para o Sudeste, com os "paus de arara"; a marcha para o Centro-Oeste e a Amazônia; e, mais recentemente, a migração de retorno e o crescimento das cidades médias.
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As migrações brasileiras são, antes de tudo, um retrato das desigualdades regionais que o país acumulou ao longo de sua formação econômica, e por isso a banca raramente cobra o fenômeno de forma isolada: o candidato precisa articular deslocamento populacional com contexto histórico, econômico e geográfico.
Vale lembrar que o Brasil saiu de um padrão migratório de ocupação do território, no qual se buscava povoar o interior, para um padrão de mobilidade essencialmente econômica, em que o trabalhador segue o capital, seja na indústria, seja na fronteira agrícola. Entre os anos 1930 e 1980, a industrialização concentrada no Sudeste criou um mercado de trabalho que atraiu milhões de pessoas, sobretudo do Nordeste, mas também de Minas Gerais e do Sul, enquanto o campo se mecanizava e expulsava mão de obra, o que explica a intensidade do êxodo rural nesse mesmo período.
Migração inter-regional, intrarregional e transumância
Inter-regional: entre regiões, como Nordeste-Sudeste. Intrarregional: dentro da mesma região, hoje predominante. Transumância: deslocamento sazonal e cíclico, com retorno — caso dos corumbas, que migram para o corte da cana e voltam na entressafra.
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As migrações internas brasileiras formam um sistema que se reorganizou ao longo do século XX: até os anos 1970, o êxodo rural e a industrialização concentrada em São Paulo alimentavam o grande fluxo Nordeste–Sudeste, típico de um país em urbanização acelerada. Com a desconcentração industrial e a expansão do agronegócio, da construção civil e dos serviços no interior e no Centro-Oeste, esse padrão se diversificou: ganharam peso os fluxos de retorno (o migrante que volta à origem) e as migrações de curta duração, muitas vezes dentro da própria região — é o caso do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que atrai trabalhadores do Nordeste para a fronteira agrícola, e dos deslocamentos pendulares entre cidades médias e metrópoles próximas.
A transumância é a expressão mais clara dessa sazonalidade: o trabalhador não rompe definitivamente com o lugar de origem, mas vende sua força de trabalho por safra, como os boias-frias da cana em São Paulo ou os seringueiros e castanheiros da Amazônia, que retornam à comunidade na entressafra.