Do sionismo de Theodor Herzl (1897) à Declaração Balfour (1917), que prometeu um "lar nacional judaico" na Palestina sob mandato britânico. Após o Holocausto e a imigração crescente, a ONU aprovou em 1947 a partilha do território; Israel foi proclamado em 1948, e os árabes rejeitaram o plano.
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A formação do Estado de Israel insere-se no contexto mais amplo do nacionalismo europeu do século XIX e do colonialismo que reconfigurou o Oriente Médio após a Primeira Guerra Mundial. O sionismo surge como movimento político que defendia a autodeterminação do povo judeu em sua terra ancestral, a Palestina, então parte do Império Otomano e habitada majoritariamente por árabes. A Declaração Balfour (1917) e o mandato britânico criaram um paradoxo: Londres prometeu simultaneamente um lar judaico e o respeito aos direitos dos árabes palestinos, gerando tensões que se agravaram com a imigração judaica em massa nas décadas de 1920 e 1930, impulsionada pelo antissemitismo europeu e pelo Holocausto.
Os conflitos árabe-israelenses
Quatro guerras principais: a de 1948, na independência, que provocou a Nakba — o êxodo de cerca de 700 mil palestinos; Suez (1956); a Guerra dos Seis Dias (1967), em que Israel ocupou Cisjordânia, Gaza, Golã e Sinai; e o Yom Kippur (1973), que desencadeou o choque do petróleo.
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Por trás dessas quatro guerras está a raiz estrutural do conflito: duas narrativas nacionais sobre o mesmo território, agravadas pelo fato de que, após 1948, Israel consolidou-se como Estado enquanto os palestinos ficaram sem Estado, sem exército e, em grande parte, como refugiados — condição que a ONU tenta enquadrar desde a Resolução 194, que prevê o retorno dos refugiados, nunca efetivado. Também é decisivo entender que as guerras mudaram a natureza do conflito: as de 1948 e 1956 foram interestatais, envolvendo exércitos árabes contra Israel; já a partir de 1967, com a ocupação de Cisjordânia, Gaza, Colinas de Golã e Sinai, o conflito passa a ter um caráter de ocupação e resistência, abrindo espaço para movimentos como a OLP (criada em 1964, mas fortalecida após 1967) e, depois, o Hamas, além das Intifadas de 1987 e 2000.
Intifadas e a Questão Palestina
A Primeira Intifada (1987-1993) foi um levante popular com protestos e pedras, que deu visibilidade internacional à causa. A Segunda (2000-2005) foi mais armada e violenta, com atentados suicidas e forte repressão, e levou à construção do muro de separação na Cisjordânia.
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As Intifadas são a expressão máxima do impasse entre dois projetos nacionais sobre o mesmo território: de um lado, o sionismo, que desde 1948 consolidou o Estado de Israel; de outro, o nacionalismo palestino, que reivindica um Estado próprio na Palestina histórica, incluindo Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, territórios ocupados por Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967). A palavra intifada significa “levante” ou “sacudida” em árabe, e o conceito-chave aqui é o de resistência popular e desobediência civil contra uma ocupação militar — algo que foge à lógica clássica de guerras entre exércitos regulares.
Ela combinou atentados suicidas do Hamas e da Jihad Islâmica contra ônibus e restaurantes israelenses com uma repressão pesada do Exército de Israel, incluindo a Operação Escudo Defensivo (2002), que arrasou o campo de refugiados de Jenin. O resultado territorial mais visível foi o muro de separação na Cisjordânia — na verdade, uma barreira de concreto e arame farpado de centenas de quilômetros, declarada ilegal pela Corte Internacional de Justiça em 2004, embora Israel o chame de “cerca de segurança”. Depois dela, a Autoridade Palestina perdeu ainda mais legitimidade, e o Hamas venceu as eleições legislativas de 2006, levando à divisão entre Gaza (Hamas) e Cisjordânia (Fatah), além do bloqueio israelense a Gaza a partir de 2007.
O fracasso dos acordos de paz
Os Acordos de Oslo (1993) criaram a Autoridade Palestina e previam autonomia progressiva, mas adiaram as questões centrais: Jerusalém, os refugiados, as fronteiras e os assentamentos. O assassinato de Rabin (1995) e a expansão contínua das colônias inviabilizaram na prática a solução de dois Estados.
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O fracasso dos acordos de paz remonta ao próprio desenho do processo iniciado em Madri (1991) e consolidado em Oslo: em vez de tratar de uma vez os temas estruturais do conflito, optou-se pela abordagem gradualista, que transferia para etapas futuras as pendências mais explosivas, de modo que cada acordo provisório apenas empurrava a crise adiante.
Em Camp David (julho de 2000), Ehud Barak e Yasser Arafat negociaram sob mediação de Bill Clinton um pacote que oferecia cerca de 90% da Cisjordânia e trocas de terra, mas o impasse sobre Jerusalém Oriental e sobre o direito de retorno dos refugiados palestinos fez ruir a negociação, e a Segunda Intifada, deflagrada em setembro de 2000 após a visita de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas, sepultou qualquer continuidade; em 2002, com a Operação Escudo Defensivo e a construção do muro de separação, o próprio território onde se pretende erguer o Estado palestino foi fragmentado em enclaves cercados, tornando inviável a contiguidade exigida por um Estado funcional. A partir de 2007, a cisão política entre o Hamas em Gaza e o Fatah na Cisjordânia acrescentou um obstáculo interno, e hoje a expansão dos assentamentos — cerca de 700 mil colonos entre Cisjordânia e Jerusalém Oriental — é frequentemente citada como fator que tornou a solução de dois Estados praticamente inviável do ponto de vista geográfico.
Cisjordânia após Acordo de Oslo
Dividida em três áreas: A, sob controle palestino civil e de segurança; B, civil palestino e segurança israelense; e C, cerca de 60% do território, sob controle israelense total, onde ficam os assentamentos. O resultado é um território fragmentado, sem continuidade.
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O ponto central é que Oslo não definiu a Cisjordânia como território de um futuro Estado palestino, mas como área de ocupação transitória a ser negociada depois — e foi justamente essa negociação que nunca avançou. Em vez de transferir poder, os acordos criaram um sistema de autonomia limitada: a Autoridade Nacional Palestina (ANP) administra parte da população, mas Israel mantém o controle efetivo sobre fronteiras, espaço aéreo, recursos hídricos, movimento interno e mais de 60% do território. Daí o conceito de ocupação fragmentada: as áreas A e B são ilhas cercadas por área C, e a circulação entre elas depende de autorização israelense, o que inviabiliza contiguidade territorial — pré-requisito básico de qualquer Estado.
Cenário atual
Divisão política palestina entre a Fatah, na Cisjordânia, e o Hamas, que controla Gaza desde 2007, sob bloqueio. O ataque de 7 de outubro de 2023 desencadeou uma ofensiva israelense de escala inédita em Gaza, com dezenas de milhares de mortos e catástrofe humanitária.
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Para entender o cenário atual, é preciso ir além da divisão entre Fatah e Hamas e enxergar como o conflito se tornou uma disputa de legitimidade e projeto nacional dentro da própria causa palestina: a Fatah, herdeira da OLP de Yasser Arafat, aposta desde os Acordos de Oslo (1993) na negociação com Israel e na criação de um Estado viável na Cisjordânia e Gaza, enquanto o Hamas, fundado em 1987 como braço da Irmandade Muçulmana, rejeita o reconhecimento de Israel e defende a resistência armada e um Estado islâmico em toda a Palestina histórica. Essa fratura ficou explícita em 2007, quando, após a vitória do Hamas nas eleições legislativas de 2006 e o fracasso de um governo de unidade, o movimento expulsou à força as forças da Fatah de Gaza — episódio que consolidou dois territórios sob administrações rivais e inviabilizou qualquer negociação palestina unificada desde então.
Vida em Gaza e a importância do rio Jordão e das colinas de Golã
Gaza: uma das maiores densidades demográficas do mundo, sob bloqueio terrestre, aéreo e marítimo, com dependência de ajuda humanitária. O rio Jordão e o aquífero da Cisjordânia são estratégicos pela água; as colinas de Golã, tomadas da Síria em 1967, têm valor militar e hídrico.
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A Faixa de Gaza ilustra como o controle dos recursos hídricos e do território molda a geopolítica do Oriente Médio: com cerca de 2 milhões de habitantes espremidos em 365 km², sua população depende quase inteiramente do aquífero costeiro, hoje salinizado pela intrusão marinha e pela extração descontrolada, o que torna a dessalinização e a importação de água de Israel condições de sobrevivência — daí a expressão "hidropolítica". Já o rio Jordão, que nasce no monte Hermom e corre por Israel, Cisjordânia e Jordânia até o mar Morto, é objeto de disputa desde 1964, quando Israel desviou suas águas pelo Aqueduto Nacional, e a guerra dos Seis Dias (1967) garantiu o controle das colinas de Golã, do aquífero da Cisjordânia e da própria nascente do Jordão — fontes que abastecem cerca de um terço do consumo israelense.
As colinas de Golã, anexadas unilateralmente em 1981 (resolução 497 do Conselho de Segurança da ONU considerou a anexação nula), somam valor estratégico militar (altiplano que domina a Galileia) e hídrico (nascentes do Jordão e do rio Dan).
As relações internacionais de israelenses e palestinos
Israel conta com apoio decisivo dos Estados Unidos, que exercem poder de veto no Conselho de Segurança, e ampliou relações com países árabes pelos Acordos de Abraão (2020). A Palestina é reconhecida por mais de 140 países e tem status de observador na ONU, com apoio de países árabes e do Sul Global.
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As relações internacionais de israelenses e palestinos se estruturam em torno de alianças assimétricas e reconhecimentos contestados, o que transforma cada voto diplomático em um termômetro do equilíbrio de forças regionais e globais. Enquanto Israel consolidou uma rede de parcerias estratégicas com potências ocidentais e, mais recentemente, com regimes árabes que antes o boicotavam, os palestinos apostam no reconhecimento simbólico e na pressão multilateral para compensar a desvantagem militar e econômica.