Os curdos
Maior povo sem Estado do mundo: cerca de 30 a 40 milhões de pessoas, de língua e cultura próprias e maioria sunita. A promessa de um Curdistão no Tratado de Sèvres (1920) foi anulada por Lausanne (1923), e o território ficou repartido entre quatro países.
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A questão curda é o exemplo mais emblemático de nação sem Estado no mundo contemporâneo, e entender por que isso ocorre exige olhar para a geopolítica das potências que redesenharam a região após a Primeira Guerra Mundial. Os curdos ocupam uma área contínua e montanhosa — o chamado Curdistão histórico — que abrange o sudeste da Turquia, o norte do Iraque e da Síria e o noroeste do Irã, região rica em petróleo (Kirkuk, no Iraque, é o caso mais notório) e estrategicamente situada entre rotas de gasodutos e oleodutos. Essa riqueza energética e a fragmentação entre quatro Estados explicam por que nenhuma potência regional tem interesse em viabilizar um Estado curdo: uma nação curda independente desestabilizaria fronteiras e alteraria o equilíbrio de poder do Oriente Médio.
Como esse tema costuma aparecer nas provas: questões que cobram a localização dos curdos nos quatro países, a diferença entre os tratados de Sèvres e Lausanne, o papel do petróleo de Kirkuk, a atuação do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) na Turquia e das milícias curdas sírias (YPG) na guerra civil síria, além da contradição entre o discurso de autodeterminação e os interesses das potências; em redações do Enem, o tema costuma surgir ligado a refugiados, minorias e conflitos étnicos, exigindo do candidato a compreensão de que o problema curdo não é apenas territorial, mas envolve soberania, recursos naturais e geopolítica das grandes potências.
Curdos no Iraque, na Turquia e na Síria
No Iraque, conquistaram autonomia regional após 1991, com governo e petróleo próprios. Na Turquia, o PKK trava conflito armado desde 1984 e é tratado como organização terrorista. Na Síria, as milícias curdas foram aliadas do Ocidente contra o Estado Islâmico, mas são combatidas por Ancara.
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Os curdos formam a maior nação sem Estado do mundo: cerca de 30 a 40 milhões de pessoas espalhadas por Turquia, Irã, Iraque e Síria, unidas por língua indo-europeia própria, maioria muçulmana sunita e memória histórica comum, mas divididas por fronteiras traçadas no papel pelos acordos de Sykes-Picot (1916) e pelo Tratado de Lausanne (1923), que sepultaram a promessa de um Curdistão independente. Essa dispersão gera a tensão central do tema: o direito à autodeterminação de um povo contrasta com a soberania e a integridade territorial dos Estados que o abrigam, e é justamente esse choque que os vestibulares cobram.
O exemplo mais emblemático é o referendo de independência do Curdistão iraquiano, realizado em setembro de 2017 por iniciativa do governo regional de Erbil: cerca de 93% dos votantes aprovaram a separação, mas Bagdá não reconheceu o resultado, retomou militarmente a região de Kirkuk — rica em petróleo — e impôs duros reveses ao governo curdo, enquanto Turquia, Irã e Síria, temendo efeito dominó entre suas próprias populações curdas, fecharam fronteiras e isolaram Erbil.