Questão fundiária no Brasil
Marcada pela concentração desde as sesmarias e a Lei de Terras de 1850, que tornou a terra acessível apenas por compra, bloqueando o acesso de escravizados libertos e imigrantes pobres. O Índice de Gini fundiário brasileiro está entre os mais altos do mundo.
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A questão fundiária brasileira se define pela disputa histórica entre a função social da terra e sua apropriação privada, num território onde a estrutura de posse nunca passou por reforma ampla que desconcentrasse a propriedade — e isso explica por que o Brasil chega ao século XXI com um dos maiores índices de desigualdade fundiária do planeta. O conceito central é o de estrutura fundiária, isto é, a forma como as terras estão distribuídas e quem controla seu uso: aqui, essa estrutura combina latifúndios voltados à exportação, minifúndios improdutivos e um contingente de trabalhadores sem acesso à terra, o que gera tensão permanente entre produtividade e justiça social no campo, expressa na Lei Agrária de 1964, que subordinou a desapropriação para reforma agrária ao cumprimento da função social, dispositivo que, na prática, foi pouco aplicado.
Como exemplo concreto, o caso do Pará é emblemático: ali a expansão da fronteira agrícola e da pecuária sobre terras públicas devolutas alimentou a grilagem por meio de títulos falsificados, o que se somou ao trabalho escravo contemporâneo e a conflitos violentos, como o Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, com dezenove mortos, e os assassinatos recorrentes de lideranças como Chico Mendes e, mais recentemente, Bruno Pereira e Dom Phillips — episódios que ligam a concentração de terras à violência no campo e à destruição ambiental.