As regiões industriais europeias organizam-se em torno de um núcleo histórico que se consolidou entre meados do século XIX e a primeira metade do XX, sustentado pela proximidade de jazidas de carvão e ferro, pela densidade populacional e pela malha de transportes fluviais e ferroviários, o que explica a concentração industrial ao longo de um corredor que atravessa Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha e norte da Itália. Sobre essa base, a Europa viveu a partir dos anos 1970 a chamada desindustrialização, com fechamento de minas, enxugamento do emprego fabril e transferência de plantas intensivas em mão de obra para países de custo mais baixo.
O caso mais emblemático é o da região alemã do Ruhr, onde siderúrgicas e minas deram lugar a universidades, centros de pesquisa, parques tecnológicos e serviços, num processo de reconversão produtiva que transformou a paisagem sem apagar sua herança industrial, hoje patrimônio e ativo turístico. Paralelamente, a indústria europeia se reorganizou em torno de novos eixos: o sul da Alemanha (Baden-Württemberg e Baviera), com engenharia mecânica, automotiva e tecnologia; Lyon e Toulouse, na França; e o norte da Itália, com pequenas e médias empresas especializadas. O tema costuma ser cobrado em provas por meio de interpretação de mapas e tabelas, da relação entre fatores locacionais clássicos (carvão, ferro, água, mercado) e fatores modernos (mão de obra qualificada, infraestrutura de pesquisa, incentivos estatais, logística), além de questões que pedem a explicação da desconcentração relativa da indústria e do deslocamento do eixo dinâmico para regiões com maior valor agregado.
Por isso, ao estudar, vale associar cada região ao seu recurso original e à sua estratégia atual de reposicionamento, entendendo que a Europa não perdeu seu peso industrial, mas o redistribuiu entre áreas em declínio relativo e novas centralidades tecnológicas, movimento que continua a moldar a geografia econômica do continente.