Vegetação brasileira
Enorme diversidade, resultado da extensão latitudinal e da variedade de climas e relevos. O IBGE reconhece seis biomas continentais — Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal — mais o Sistema Costeiro-Marinho, incorporado na revisão de 2019.
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A vegetação brasileira não se distribui de forma homogênea: ela é o reflexo direto da combinação entre clima, solo, relevo e disponibilidade hídrica, o que explica por que falamos em formações vegetais e não em uma única paisagem. Um conceito-chave aqui é o de fitofisionomia, que descreve o aspecto da vegetação, e o de formação florestal versus formação campestre, distinção importante porque nem toda área de clima tropical ou subtropical é coberta por floresta — o Cerrado, por exemplo, é um mosaico de fitofisionomias que vai do campo limpo ao cerradão, dependendo do gradiente de umidade e da fertilidade do solo.
Brasil: biomas
Participação no território: Amazônia (cerca de 49%), Cerrado (24%), Mata Atlântica (13%), Caatinga (10%), Pampa (2%) e Pantanal (2%). Os mais devastados proporcionalmente são a Mata Atlântica, com menos de 15% de remanescentes, e o Cerrado.
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Os biomas brasileiros são grandes conjuntos de ecossistemas com fisionomia e funcionamento ecológico próprios, definidos pela interação entre clima, relevo, solo e disponibilidade hídrica, e não apenas pelo tipo de vegetação aparente. Por isso, é mais correto tratá-los como complexos ambientais: no Cerrado, por exemplo, o mesmo domínio reúne formações que vão do campo limpo e do campo sujo à vereda e ao cerradão, uma floresta densa com dossel contínuo, sendo as veredas ambientes permanentemente úmidos associados a solos hidromórficos e ao buriti, enquanto o cerrado sentido restrito ocupa terrenos bem drenados e distróficos do Planalto Central.
O caso do Pantanal ilustra a dependência das condições hídricas, já que a alternância entre cheia e seca controla a vegetação, formando mosaicos que reúnem contato entre Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, com Chaco, além de espécies próprias do ambiente alagável. Note ainda que a relação entre bioma e bioma não é de identidade com os limites administrativos: a Mata Atlântica se estende como formação costeira e de encostas, hoje fragmentada em manchas cercadas por áreas urbanas e agrícolas.
Brasil: domínios morfoclimáticos
Classificação de Ab'Sáber, que integra clima, relevo, solo, hidrografia e vegetação: Amazônico, Cerrado, Caatinga, Mares de Morros, Araucárias e Pradarias, além das faixas de transição — como a Mata dos Cocais e o Pantanal —, que não formam domínios próprios.
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O conceito de domínio morfoclimático, formulado por Aziz Ab'Sáber, parte da ideia de que clima, relevo, solo, hidrografia e vegetação não são compartimentos isolados, mas um sistema integrado cuja combinação gera áreas com forte homogeneidade interna e transições graduais nas bordas — por isso "morfoclimático" une forma do relevo e clima como critérios organizadores da paisagem.
Vale lembrar que Ab'Sáber identificou originalmente seis domínios e tratou as faixas de transição como áreas de tensão ecológica, sendo comum as bancas exigirem do candidato tanto a definição quanto a capacidade de aplicar o conceito a situações concretas de conservação e uso do território brasileiro.